O Cabelo
Havia um Sr. lá no bairro que sempre me intrigou. Chegava a ficar boquiaberta a olhar para ele tempos sem fim. Era sobre o alto, de estrutura balofa, caminhava de pernas abertas e pés para fora. Só por isto éramos levados a pensar que tinha saído de um livro de banda desenhada. Mas, o que me deixava hipnotizada era a sua careca reluzente onde morava um cabelo preto muito grande. Um cabelo. Apenas um cabelo! Imaginam a minha desilusão quando, um dia, aquele cabelo caiu. Foi um choque maior do que saber que o pai natal não existia. A vida não era a mesma sem o hipnótico cabelo do Sr. Marcelino.
12-07-2010
Canetas
“No meu tempo” os miúdos usavam muito as chamadas canetas. Ou pontas de feltro. Eram o que nos fazia despontar para a criatividade e colorir era uma tarefa levada muito a sério. Havia as canetas “Molim” o rolls royce das canetas. Havia caixas de 6, 12, 24 e 36. Esta última era o sonho de qualquer miúdo. A palete de cores permitia colorir com um espectro de tonalidades invejável. Eu sonhava com um estojo destes, nem que fosse em 2ª mão.
12-07-2010
Contos da Luz
Estes são os contos que me povoam e agora se libertam...
domingo, 1 de agosto de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Imundo
O Frei Cipriano era o pároco lá da aldeia. Usava uma batina castanha já muito sebenta. Estava tão suja que, quando se levantava das cadeiras, víamos a marca do seu corpo desenhada. Este era um assunto que preocupava as beatas da aldeia. Montavam cenários para ver se conseguiam arranjar uma desculpa para lhe lavarem a batina. Como não conseguiam encontrar uma desculpa plausível resolveram fazer-lhe uma nova batina. O gesto comoveu o Frei Cipriano que trocou de batina aos prantos.
24-06-2010
Letras
Era um mistério. Como é que a minha mãe conseguia meter letras na sopa! Era o máximo. A sopa cheia de letras, prontas para eu construir palavras! Mas, o meu divertimento não era partilhado pela minha mãe que me ralhava para comer a sopa. Como era possível quererem que eu comesse as letras que me permitiriam formar palavras!? Até que me disseram que se comesse as letras elas cresceriam dentro de mim e formar-se-iam muitas palavras dentro da minha mente. Comecei a comer a sopa de letras desalmadamente…
28-06-2010
Unha
O vizinho do 2ºEsq. Tinha um ar assustador. Quando o via arrepiava-me e quando olhava para a sua unha do dedo mindinho direito ficava gelada. O vizinho deixara crescer a unha até esta ter um tamanho considerável. Os outros vizinhos apelidaram-no de “Unhaca”. E assim ficou conhecido aquele que tinha uma unha de bruxo que atormentava os sonhos das crianças do prédio.
28-06-2010
O Frei Cipriano era o pároco lá da aldeia. Usava uma batina castanha já muito sebenta. Estava tão suja que, quando se levantava das cadeiras, víamos a marca do seu corpo desenhada. Este era um assunto que preocupava as beatas da aldeia. Montavam cenários para ver se conseguiam arranjar uma desculpa para lhe lavarem a batina. Como não conseguiam encontrar uma desculpa plausível resolveram fazer-lhe uma nova batina. O gesto comoveu o Frei Cipriano que trocou de batina aos prantos.
24-06-2010
Letras
Era um mistério. Como é que a minha mãe conseguia meter letras na sopa! Era o máximo. A sopa cheia de letras, prontas para eu construir palavras! Mas, o meu divertimento não era partilhado pela minha mãe que me ralhava para comer a sopa. Como era possível quererem que eu comesse as letras que me permitiriam formar palavras!? Até que me disseram que se comesse as letras elas cresceriam dentro de mim e formar-se-iam muitas palavras dentro da minha mente. Comecei a comer a sopa de letras desalmadamente…
28-06-2010
Unha
O vizinho do 2ºEsq. Tinha um ar assustador. Quando o via arrepiava-me e quando olhava para a sua unha do dedo mindinho direito ficava gelada. O vizinho deixara crescer a unha até esta ter um tamanho considerável. Os outros vizinhos apelidaram-no de “Unhaca”. E assim ficou conhecido aquele que tinha uma unha de bruxo que atormentava os sonhos das crianças do prédio.
28-06-2010
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