domingo, 1 de agosto de 2010

O Cabelo
Havia um Sr. lá no bairro que sempre me intrigou. Chegava a ficar boquiaberta a olhar para ele tempos sem fim. Era sobre o alto, de estrutura balofa, caminhava de pernas abertas e pés para fora. Só por isto éramos levados a pensar que tinha saído de um livro de banda desenhada. Mas, o que me deixava hipnotizada era a sua careca reluzente onde morava um cabelo preto muito grande. Um cabelo. Apenas um cabelo! Imaginam a minha desilusão quando, um dia, aquele cabelo caiu. Foi um choque maior do que saber que o pai natal não existia. A vida não era a mesma sem o hipnótico cabelo do Sr. Marcelino.
12-07-2010

Canetas
“No meu tempo” os miúdos usavam muito as chamadas canetas. Ou pontas de feltro. Eram o que nos fazia despontar para a criatividade e colorir era uma tarefa levada muito a sério. Havia as canetas “Molim” o rolls royce das canetas. Havia caixas de 6, 12, 24 e 36. Esta última era o sonho de qualquer miúdo. A palete de cores permitia colorir com um espectro de tonalidades invejável. Eu sonhava com um estojo destes, nem que fosse em 2ª mão.
12-07-2010

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