Imundo
O Frei Cipriano era o pároco lá da aldeia. Usava uma batina castanha já muito sebenta. Estava tão suja que, quando se levantava das cadeiras, víamos a marca do seu corpo desenhada. Este era um assunto que preocupava as beatas da aldeia. Montavam cenários para ver se conseguiam arranjar uma desculpa para lhe lavarem a batina. Como não conseguiam encontrar uma desculpa plausível resolveram fazer-lhe uma nova batina. O gesto comoveu o Frei Cipriano que trocou de batina aos prantos.
24-06-2010
Letras
Era um mistério. Como é que a minha mãe conseguia meter letras na sopa! Era o máximo. A sopa cheia de letras, prontas para eu construir palavras! Mas, o meu divertimento não era partilhado pela minha mãe que me ralhava para comer a sopa. Como era possível quererem que eu comesse as letras que me permitiriam formar palavras!? Até que me disseram que se comesse as letras elas cresceriam dentro de mim e formar-se-iam muitas palavras dentro da minha mente. Comecei a comer a sopa de letras desalmadamente…
28-06-2010
Unha
O vizinho do 2ºEsq. Tinha um ar assustador. Quando o via arrepiava-me e quando olhava para a sua unha do dedo mindinho direito ficava gelada. O vizinho deixara crescer a unha até esta ter um tamanho considerável. Os outros vizinhos apelidaram-no de “Unhaca”. E assim ficou conhecido aquele que tinha uma unha de bruxo que atormentava os sonhos das crianças do prédio.
28-06-2010
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